Hoje é dia de falar de...
Um dia entrelaçámos os dedos em alguém e, nesse pequeno gesto, escondemos tudo o que nos torna frágeis. O medo, as frustrações, a ansiedade, o sonho.
Alguns de nós ainda sonham com aquele amor arrebatador, que nos toma de assalto e nunca nos deixa sós. Alguns de nós aprenderam a estar sós e dispensam a companhia de outro. Alguns de nós carregam demasiada mágoa para projectar sonhos noutras pessoas.
Uma coisa de que raramente nos lembramos é que uma relação é feita de duas metades, e que só existe equilíbrio numa relação se ambas as partes estiverem bem sós. Uma relação de dependência excessiva torna-se incomportável. Corrói ambos.
Na verdade, o amor só existe porque está presente em cada um de nós e só é bonito porque é algo próprio, algo que é de cada um, algo tão subjectivo como a percepção que cada pessoa tem de outra.
Trata-se de algo que está entre nós mas que não tem forma - quem lhe dá forma e corpo somos nós.
Então, como podemos falar de amor sem ser em jeito de debate?
Comecemos, então.
Amar alguém pode ser extremamente confuso e difícil de entender/explicar. Mas é isso que torna o amor algo tão desejado: a sua imprevisibilidade.
O amor é algo com tantas interpretações que é fácil julgar a forma como o outro ama. Mas para mim, o amor, na sua forma mais transparente, é claro e evidente. Não se questiona.
Por isso, vamos pôr isto em pratos limpos. Afinal, pode o amor andar de mãos dadas com a violência? Com o desrespeito? É uma linha ténue que separa o amor da amizade? É uma linha ainda mais ténue que separa o amor do ódio?
Não há, infelizmente, uma resposta certa. Apenas respostas. Podemos entrar em desacordo, mas é aí que crescemos como pessoas. É a tentar entender o outro e as suas posições.
A minha posição é de que amar alguém implica sacrifício, respeito, lealdade, cumplicidade e amizade.
Por sacrifício, entenda-se abdicar de certos caprichos nossos, certas coisas acessórias a que costumamos dar demasiado peso. Não significa, de todo, abdicar do respeito por nós próprios, abdicar do nosso amor próprio ou sujeitarmos-nos a coisas hediondas em nome de um amor que já não existe senão nas nossas memórias.
Por respeito, entenda-se dar espaço quando assim o é necessário, ser-se o mais compreensivo possível e nunca abdicar do senso comum quando as coisas se tornam feias (ou seja, em momentos de conflito).
Por lealdade, entenda-se a consciência do nosso compromisso para com o outro em todas e quaisquer circustâncias.
Por cumplicidade, entenda-se o brilho nos nossos olhos quando vemos o sorriso estampado na cara da pessoa que amamos. O quão confortáveis se tornam os silêncios.
Por amizade, entenda-se a soma de isto tudo. Junta-se atracção física e puff. Temos aquilo a que alguns chamam de amor ou paixão.
Na verdade, deveríamos referir-nos a isto como paixão, para sermos justos.
Amor é muito mais do que isso.
Raquel

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